O TERRITÓRIO

Na segunda metade do século XIX, dentro de um Brasil eminentemente agrário onde a cultura do café destacava-se pela sua importância econômica, o interior brasileiro povoava-se de velhas e novas cidades. As primeiras, nascidas no período colonial e as segundas, nascendo do progresso do segundo reinado. Dentro da província de São Paulo, entre a freguesia de Santa Bárbara D´Oeste (município de Nova Constituição, hoje Piracicaba) e São Carlos (hoje Campinas), estendia-se a área onde Domingos da Costa Machado era dono de uma sesmaria. Dentro desta sesmaria a Fazenda Machadinho compunha a área cultivada, enquanto que larga parcela continuava abandonada. A cana de açúcar constituída na época o elemento agrário de maior rentabilidade e por isso espalhava-se pelas terras da fazenda.

Parte dessa sesmaria (constituída pela Fazenda Machadinho) foi vendida por Domingos da Costa Machado (o segundo) a Antonio Bueno Rangel, que nela se instalou, dando continuidade à atividade agrícola. Posteriormente, esta fazenda, de grande importância para o aparecimento do núcleo populacional que viria a tornar-se a cidade de Americana, com a morte do proprietário, passou para a mão dos seus filhos, Basílio e José Bueno Rangel. E, aos poucos, o território começou a ser ocupado.

A SESMARIA

Até o final do século XVIII, o governo português, ainda dentro do esforço de colonizar um território tão imenso quanto o brasileiro e muito faltando para povoar o sertão, continuou concedendo sesmarias, ou seja, glebas de terra devoluta, doadas para o seu desbravamento. De acordo com o eminente historiador de Campinas, Jolumá Brito, profundo conhecedor desses assuntos, as terras em meio as quais cresceu o atual município de Americana foram adquiridas em sesmarias por Domingos da Costa Machado, "que juntamente com Antonio Vieira da Silva Pinto, João Antunes e Agostinho Luiz Ribeiro haviam obtido grande gleba de terras por aquelas paragens, em 2 de abril de 1799" (informação tirada do livro "História da Cidade de Campinas" do autor Jolumá Brito - Volume 18 - página 9).

As terras de Domingos da Costa Machado permaneceram devolutas até que seu filho, do mesmo nome, decidiu-se a explorá-las vindo nelas habitar. Ainda nos fins do século XVIII, instalavam-se por esse território engenhos de açúcar e espalhava-se a plantação da cana em algumas que começaram a nascer.

O século XIX vai marcar, como fruto da economia monocultora da época, o aparecimento de culturas de café, que no entanto, provavelmente pelo tipo de solo, não se desenvolveram da mesma forma que em outras regiões da província, permanecendo como uma cultura de retaguarda.

 

Fonte do Livro: "AMERICANA - Edição Histórica"